BEATRIZ UQ


RECOMEÇAR DE VERDADE COMEÇA RECONHECENDO O QUE TE DESESTABILIZA

Estamos na primeira semana do ano, e isso costuma trazer uma mistura de esperanças e cobranças, já reparou?

Há uma sensação de que precisamos reorganizar a vida, somada aos inúmeros conteúdos cheios de dicas que aparecem por todos os lados e que, pelo menos em mim, causam uma sensação de sufocamento. Veja só: eu acabei de voltar de um retiro espiritual e sendo bem honesta, ainda me sinto um pouco cansada, confusa e tentando lidar com o que ficou pendente do ano anterior.

Existe um intervalo – e precisamos dar vazão a ele – porque apesar do desejo de recomeçar, há também o medo de não dar conta (outra vez). E, entre um e outro, sem que percebamos, podem surgir as nossas maiores desestabilizações (é isso mesmo).

Desestabilizar é perder o eixo, sabe? Esse eixo é o centro interno que mantém alguma previsibilidade emocional no dia a dia. No campo da Terapia Cognitivo-Comportamental, isso acontece quando algo externo (uma situação, uma palavra, uma lembrança) toca diretamente em crenças ou feridas profundas. São esses gatilhos que nos revelam onde ainda há dor, medo ou autoexigência. É o desconforto apontando o que precisa ser olhado e não evitado.

Perceber o que te desestabiliza é um exercício de autoconhecimento. Talvez seja a crítica, o silêncio de alguém, a sensação de não estar sendo suficiente, o medo de perder o controle, de se mostrar vulnerável ou até mesmo de querer fazer tudo de uma vez quando você ainda nem conseguiu descansar. Cada um tem seu ponto sensível e reconhecê-lo é o primeiro passo para regulá-lo, porque só conseguimos manejar o que sabemos nomear, capiche? Na TCC, chamamos isso de tomar consciência das conexões entre pensamento, emoção e comportamento. É o fio que nos permite, aos poucos, distinguir o que é realidade e o que é interpretação.

Nesse começo de ano, talvez o convite mais importante seja esse: identificar o que te tira do centro e, a partir daí, escolher quais movimentos deseja fazer. Entenda que recomeçar é um ato corajoso. Envolve largar o que já não cabe, encerrar o que se repetiu demais e dar início a uma presença mais consciente diante de si mesmo. Significa acolher o que desorganiza, entendendo como uma oportunidade de ajustar, de cuidar melhor e de se ouvir com mais honestidade.

Permita-se não estar inabalável. A estabilidade não é ausência de emoção, mas a capacidade de voltar ao centro depois de sentir tudo o que veio. Que este ano seja mais sobre se observar do que se julgar e mais sobre iniciar conexões autênticas consigo do que correr para corresponder a algo que só você acha que está sendo exigido de você.

Ah, e mais uma coisa: de coração, desejo que este ano você seja coberto de paz interior, que seja mais leal a si mesmo, que se enxergue e se trate com mais carinho.

Com amor,
Bea 🙂

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